quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

7.- Lembranças!


Enquanto caminhava, quase não prestava atenção em nada, queria chegar rapidamente em seu destino para poder dar continuidade naquilo que ela imaginava ser algo que mudaria sua vida definitivamente.

Atravessava as ruas sem olhar para os lados, nem percebeu que o sinal estava fechado para pedestres e atravessou, carros buzinavam e Claudia não conseguia escutar, sua travessia assustou a todos que estavam no local, os carros desviavam, pois não tinham outra opção.

Estava pensando em tudo o que viveu durante ás três décadas de sua vida, o porquê de ser da forma como era, de agir como era.

Voltou então a sua infância, uma família de pessoas de classe média, tinha uma casa grande, com um quintal e brinquedos como balanço, gangorra, gira gira e escorregador, um jardim florido com rosas, margaridas e muitas flores do campo e plantas que traziam para o lar um ar de tranqüilidade e segurança.

Seu pai, João uma pessoa que progrediu profissionalmente sempre com austeridade e honestidade, sua mãe Luciana, uma mulher simples e dona de casa exemplar, vivia dedicando-se a educação de Cláudia e a satisfazer as vontades de João.

O cuidado com a família era tão grande, que criaram um mundo totalmente diferente dentro de casa, do que se passava do lado de fora dos muros daquele lar.

Cláudia então se lembrou dos momentos em que ela tinha a atenção de sua mãe e de sua babá Rosa.

Rosa era uma menina, tinha 17 anos quando começou a trabalhar para a família e era tratada como filha por João e Luciana, e por tudo o que estava recebendo, tinha Cláudia como uma irmã.

Rosa e Cláudia brincavam juntas, quase nunca Cláudia recebia a visita de suas amigas, quando saia para passear, estava sempre com Rosa que era demasiadamente protetora e por esse motivo nunca estavam brincando com outras crianças.

Cláudia cresceu se acostumando a viver em seu mundo particular, estudava em escola
tradicional de sua cidade e tinha em casa o complemento de sua educação.

Quando adolescente, Claudia decidiu pela primeira vez encontrar um namorado, mas como era introvertida, e com quase nenhuma capacidade de conversar, ficava sempre afastada e olhava com medo para os meninos de sua escola.

Claudia sempre foi uma criança bonita, se vestia bem e em sua adolescência recebia diversas cantadas, mas sua timidez sempre refutou qualquer pretendente.

Ela sabia que tinha de se cuidar e o fazia com primazia, gostava de fazer exercícios diários e para isso contava com um salão em sua própria casa com alguns equipamentos aeróbicos e anaeróbicos.

Um dia estava Cláudia sentada de frente à fonte que fazia parte da entrada de sua escola, estudando e tentando entender uma matéria que ela não conseguia assimilar, chegou um rapaz que sempre a olhava e a admirava, fosse á sala de aula, nos corredores da escola ou durante os intervalos.

Ele se apresentou, chamava-se Paulo, era bonito e também um tanto tímido, mas não o suficiente para impedi-lo de aproximar-se de Claudia. Sua intenção era clara e já conhecendo a fama da pretendente, ele com delicadeza perguntou-a se poderia sentar-se ao seu lado.

Claudia olhou para Paulo e quase de imediato ia dizer-lhe não, mas em um instante e olhando nos olhos de Paulo consentiu a sua Companhia.

Cláudia continuou a estudar e Paulo ficou sentado a seu lado em silêncio, admirando atentamente cada detalhe da mulher que ele somente via de longe, aproximou-se quase sem ser percebido e tentou sentir o perfume de Cláudia, olhou para seu rosto que estava descoberto, pois Cláudia estava com os cabelos presos a orelha, reparou em sua roupa e em seus pés.

Cláudia percebeu que Paulo estava olhando e enquanto ele a admirava ela sentia o que ele estava fazendo e sem que ele percebesse o fitava pelo canto dos olhos.

Cláudia em um impulso sorriu e Paulo tomou coragem e começou a conversar.

Nossa Cláudia! Exclamou Paulo.

O que foi? Perguntou Cláudia já se sentindo envergonhada e sem graça.

Seu sorriso é lindo, eu nunca tinha visto você sorrir antes, queria-te ver sorrindo mais. Disse Paulo também com um sorriso no rosto, mas determinado a continuar com a conversa.

Cláudia então sorriu com mais intensidade e demoradamente.

Houve uma pausa onde Paulo continuou a admirar Cláudia.

Continua...

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